segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Instruções gerais (servem também para roupas)

Use sabão macio.
Evite máquinas demais.
Salgue um pouco, pra manter o colorido.
Varie entre o quente, o muito quente, o morno e o frio.
O excesso pode causar atrito e desbotamento. Evite-o.

Seja o que for, nunca deixe de molho por mais de um dia.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008



Ontem fiquei olhando a chuva cair e tudo o que eu tinha era uma fotografia despedaçada do pai que não conheci e uma gota que caía da calha do telhado de uma casa onde nunca morei. Uma brisa fresca, uma formiga, uma folha e uma gota furando o chão, desfazendo-se por entre os grãos da terra que se iam afastando ao seu toque sutil. Era o que eu podia pegar e dizer: isso é meu. É que minha história é feita de ausências. A não ser pela foto e pela chuva.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

E se...



... por algum dia, pudesse eu ser quem não sou, onde teria ficado quem sou? Se eu me olhasse no espelho e me visse do avesso, não seria isso o que sou, não sendo? Conseguiria, por fim, me enxergar? Pois não é o escuro que revela o claro? Não é o belo que destaca o feio? Quem eu seria se, por apenas alguns instantes, eu não fosse eu? Uma cantora de ópera revelaria meu desafinado coração. Um pintor, a minha incapacidade de revelar imagens. Um homem, uma mulher. Quem eu seria se a noite me revelasse o que não sou? Se eu não fosse eu estaria finalmente sendo eu mesma?

segunda-feira, 20 de outubro de 2008




René Magritte - A Ponte de Heráclito

Não somos reais a não ser na imaginação.
Ou não?


sábado, 17 de maio de 2008

um começo

Vida é teia que se tece. Fio a fio. Quando um se parte, corremos a tentar reconstruí-lo, temerosos que a ruptura revele a fragilidade em que alicerçamos nossos valores, nossos afetos, nossas loucuras, e destrua a única história que passamos a vida tentando contar: a nossa.

"Mas a habitação da aranha
é a mais frágil das habitações."
(Corão, 29,40)

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Ai que loucura!!!

Erasmo de Rotterdam justificou-se a seu amigo Tomas Morus: se Virgílio escreveu um poema sobre o mosquito, se Ovídio louvou a noz, se Sinésio falou dos carecas, por que ele deveria reprimir-se em falar da loucura? Afinal, de perto ninguém é mesmo normal. Euzinha, de minha parte, acho loucura é fazer blog. Ô coisinha complicada, sô. Tô há dois dias pelejando nesse troço, mas parece que agora vai. Então, tô por aqui de novo. Agora só me falta faltar inspiração...