terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Lá do alto

Lá do alto, a equilibrista olha pela última vez: a platéia e a corda transparente. Sabe que, quando começar a andar na corda bamba, seu mundo será: seu corpo, a sombrinha lilás, a corda e o picadeiro vazio. Lá de baixo, seus pés parecerão: duas pequenas pétalas flutuando no ar. A equilibrista, com sua roupa rosa de bailarina, respira: atenta. O ar chega finalmente aos seus pés: flutua. Ela sabe: não pode avançar demais, tampouco parar. O suor destila: medo e certeza. A platéia: não respira, não pisca. A mulher gorda: prefere não ver, o que quer que seja, prefere não ver. O filho: aperta o seu braço. A equilibrista bailarina é: firme. É forte. O filho solta o braço da mãe, que olha para a bailarina, que limpa o suor, que olha a platéia, que suspira de alívio admirando a bailarina, que recebe os aplausos do adorável público.

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